Iniciativa lançada por Annan para aproximar empresas, organismos da ONU, trabalhadores e sociedade civil de princípios universais.
Who Cares Wins

Kofi Annan, a mobilização do setor financeiro e um marco da integração ambiental, social e de governança às decisões de investimento.
Uma leitura comentada de Connecting Financial Markets to a Changing World, conectada ao acervo e às iniciativas do Instituto Global ESG.
O investimento também depende da qualidade das instituições, das relações sociais e do planeta.
O relatório aproxima questões ambientais, sociais e de governança dos processos ordinários de pesquisa, avaliação de empresas e gestão de investimentos.
Sua contribuição central está em explicar que esses fatores podem alterar riscos, oportunidades, competitividade, reputação e valor no longo prazo. O tema passa a integrar uma conversa sobre qualidade da gestão e fundamentos econômicos, com responsabilidades distribuídas entre os agentes do mercado.
A proposta não se encerra na criação de produtos especializados. Ela alcança a análise financeira, os mandatos de investimento, o diálogo com empresas, os direitos de voto, a divulgação de informações e os incentivos dos profissionais que tomam decisões.
O documento deve ser lido como um marco histórico da consolidação da linguagem ESG no setor financeiro. Práticas de responsabilidade empresarial e investimento responsável possuem antecedentes; a relevância desta publicação está na articulação sistemática desses fatores e na convocação coletiva para sua integração.
Kofi Annan: construir pontes entre capital e responsabilidade.
O relatório registra que, em janeiro de 2004, o então Secretário-Geral das Nações Unidas escreveu aos dirigentes de 55 instituições financeiras para convidá-los a participar da iniciativa. O trabalho ocorreu sob os auspícios do Pacto Global, com financiamento do governo suíço.
Annan exerceu o papel de liderança e mobilização. A elaboração do relatório foi coletiva, conduzida por instituições financeiras e por um grupo de trabalho, com facilitação especializada e participação do escritório do Pacto Global. O documento também reconhece contribuições da UNEP Finance Initiative, The Conference Board e Columbia Business School.
Essa distinção valoriza o legado em sua dimensão mais concreta: a capacidade de reunir atores com conhecimentos e responsabilidades diferentes para modificar práticas econômicas. A relação entre princípios universais e decisões empresariais ganha uma ponte com a análise e a alocação de capital.
Base: contexto e escopo, pp. vii–ix; grupo de trabalho e organizações parceiras, pp. x–xii.
Conhecer o memorial Kofi AnnanO convite a dirigentes financeiros abre o processo que conduz ao Who Cares Wins.
O grupo de trabalho desenvolve recomendações para os diferentes participantes do mercado financeiro.
A ONU registra a apresentação do relatório no contexto do Global Compact Leaders Summit. A cópia disponível nesta página traz indicação gráfica de impressão em dezembro de 2004.
O memorial, o Programa ESG20+ e as iniciativas de conhecimento oferecem caminhos para compreender a trajetória histórica e sua leitura institucional brasileira.
Seis capítulos. Uma arquitetura de transformação.
As sínteses abaixo são paráfrases editoriais em português. As páginas indicadas correspondem à numeração impressa do relatório, que difere da posição das páginas no arquivo PDF.
01 · Considerações gerais — pp. 3–8
O investimento depende de uma economia viável, de uma sociedade capaz de sustentá-la e de condições ambientais duradouras. O relatório conecta esses elementos à estabilidade dos mercados e ao interesse de investidores em compreender questões ESG.
A leitura do valor requer horizontes que alcancem efeitos futuros e ativos intangíveis. O documento descreve desafios de definição, medição, informação, competências e prazos de análise. Recomenda ampliar a compreensão dos profissionais e tornar mudanças regulatórias mais transparentes e previsíveis.
Comentário curatorial: a qualidade da decisão melhora quando a instituição define quais fatores merecem atenção, em que horizonte e por qual mecanismo podem afetar o negócio. O ambiente, as relações sociais e a governança são dimensões interligadas.
02 · Fundamentação do investimento — pp. 9–20
Este capítulo examina como fatores ESG podem influenciar o desempenho de empresas e o valor dos investimentos. O texto reúne experiências setoriais e conecta qualidade da gestão, reputação, inovação e riscos à capacidade de criação de valor.
A abordagem é específica por setor e por empresa. Um fator ambiental pode mudar custos operacionais; uma questão social pode influenciar produtividade ou relações com comunidades; práticas de governança podem alterar confiança e responsabilização.
Comentário curatorial: o raciocínio mais útil liga tema, evidência e consequência econômica. Os exemplos e estudos reproduzidos pertencem ao contexto histórico da publicação. A integração ESG qualifica a análise; não estabelece garantia universal de rentabilidade.
03 · Atendimento às necessidades dos clientes — pp. 21–26
Clientes institucionais, fundos de pensão e seus consultores podem estimular mudanças ao solicitar pesquisas e serviços que considerem fatores ESG. O relatório recomenda inserir esses elementos nos mandatos de investimento e na seleção de gestores, respeitadas as obrigações fiduciárias.
Investidores e gestores também são convidados a comunicar diretrizes para exercício de voto e a demandar informações melhores de empresas e intermediários. A demanda ganha força quando se traduz em critérios concretos de contratação, avaliação e diálogo.
Comentário curatorial: uma preferência institucional se torna operacional quando aparece no mandato, nas perguntas de diligência e no acompanhamento do gestor. O compromisso precisa atravessar a relação entre cliente, prestador e decisão.
04 · Integração à análise financeira — pp. 27–30
O documento propõe expandir a análise ESG para outros setores e classes de ativos, além das ações. Defende capacitação, recursos e ferramentas adequados, com priorização dos fatores conforme seu potencial de afetar valor e conforme o tempo necessário para produzir efeitos.
Informações qualitativas e cenários podem ajudar a compreender consequências que os modelos tradicionais capturam de forma limitada. Mercados emergentes recebem atenção específica: metodologias e critérios precisam considerar realidades econômicas e institucionais locais.
Comentário curatorial: a integração exige método. A mesma pergunta pode ter pesos diferentes em negócios distintos. Uma análise consistente registra a origem dos dados, o mecanismo de impacto, as premissas e o horizonte temporal.
05 · Transparência e divulgação — pp. 31–36
A utilidade da análise depende da qualidade das informações empresariais. O relatório destaca que a quantidade de dados divulgados precisa vir acompanhada de consistência, comparabilidade e explicação da relação com o negócio.
Empresas são incentivadas a comunicar desafios, prioridades e fatores de criação de valor por seus canais habituais de relações com investidores. Analistas, reguladores, bolsas, organismos contábeis, iniciativas de relato e organizações da sociedade civil possuem funções complementares na melhoria dessa infraestrutura.
Comentário curatorial: a transparência se fortalece quando o leitor consegue compreender o que foi medido, por quem, com qual metodologia e em que período. Relato e gestão se apoiam mutuamente: a informação útil ajuda a decidir e a acompanhar resultados.
06 · Implementação da mudança — pp. 37–39
A liderança do conselho e da alta administração sustenta a integração. O relatório recomenda objetivos de longo prazo, aprendizagem organizacional, treinamento e incentivos compatíveis com os fatores ESG materialmente relevantes.
As instituições podem escolher trajetórias diferentes conforme sua estrutura e cultura. Equipes especializadas, pesquisa externa e capacitação dos profissionais são caminhos possíveis. A figura apresentada no relatório ilustra uma trajetória de incorporação do conhecimento ESG aos processos regulares de pesquisa e gestão.
Comentário curatorial: a mudança se consolida quando o conhecimento encontra responsáveis, recursos, processos e critérios de avaliação. A sustentabilidade alcança o núcleo da decisão por meio da governança e da rotina operacional.
Conclusões e acompanhamento — pp. 40–41
O relatório propõe aprofundar e implementar as recomendações por ações individuais e colaborativas. Seu quadro final reúne dez indicadores preliminares para acompanhar investidores, gestores e infraestrutura de mercado. Essa proposta evidencia a importância de revisar a implementação e aprender com os resultados.
O que cada público é chamado a fazer.
Esta matriz sintetiza o resumo executivo e os seis capítulos. Os agentes possuem responsabilidades distintas e complementares.
| Público | Recomendação central | Desdobramento prático da curadoria |
|---|---|---|
| Analistas e corretoras | Incorporar fatores relevantes à pesquisa e desenvolver modelos e competências. | Explicitar os temas que influenciam a avaliação e a justificativa das recomendações. |
| Instituições financeiras | Integrar ESG aos processos, com compromisso da liderança, recursos e treinamento. | Definir responsabilidades, objetivos e mecanismos de acompanhamento. |
| Empresas | Implementar políticas e divulgar informações consistentes sobre desafios e desempenho. | Relacionar prioridades, métricas e resultados ao modelo de negócio. |
| Investidores e gestores | Demandar pesquisa, incorporar os fatores às decisões e comunicar diretrizes de voto. | Traduzir expectativas em mandatos, diligência e diálogo com empresas. |
| Fundos de pensão | Considerar ESG nos mandatos e na seleção de gestores, observando deveres fiduciários. | Documentar critérios, horizonte e avaliação dos prestadores. |
| Consultores e assessores | Combinar pesquisa ESG e análise setorial, ampliando a qualidade da demanda. | Qualificar perguntas, critérios de contratação e compreensão dos clientes. |
| Reguladores e bolsas | Apoiar previsibilidade, divulgação e responsabilização. | Fortalecer o acesso a informações úteis e a compreensão das regras aplicáveis. |
| Organismos contábeis, agências e provedores de índices | Contribuir para padrões e estruturas consistentes. | Desenvolver critérios transparentes e comparáveis. |
| Academia e sociedade civil | Produzir conhecimento, apoiar competências e oferecer informações objetivas. | Conectar pesquisa, formação e evidências às necessidades da sociedade e do mercado. |
Base: resumo executivo, pp. i–v; recomendações, pp. 5, 11–12, 22–23, 28, 32–33 e 38.
O Brasil aparece na história desde o relatório.
Banco do Brasil
Consta na relação de instituições que endossam o relatório. A presença é um ponto de entrada para estudar a participação brasileira no debate internacional sobre integração ESG.
Fonte: relação de instituições no início do documento.Bovespa
O quadro 22 relata a decisão da então Bovespa de aderir ao Pacto Global após o encontro de bolsas realizado em março de 2004. A menção pertence à cronologia histórica.
Fonte: quadro 22, p. 36.Mercados emergentes
O relatório recomenda adaptar critérios e metodologias às realidades locais. Essa perspectiva ajuda a construir leituras brasileiras com atenção a setores, territórios e capacidades institucionais.
Fonte: pp. 27–30.A curadoria conecta essa presença histórica às agendas atuais do Instituto por afinidade temática. As iniciativas brasileiras abaixo têm suas próprias origens, instrumentos e governança; cada página vinculada preserva o contexto específico.
Do documento histórico ao ecossistema de ação.
Um roteiro de aplicação para organizações.
O roteiro a seguir é uma elaboração editorial inspirada no relatório. Serve para organizar reflexão e trabalho institucional.
Mapear os fatores relevantes
Identifique as questões ambientais, sociais e de governança que se relacionam ao negócio, ao setor e ao território. Registre o mecanismo de impacto e o horizonte de análise.
Definir liderança e responsabilidades
Estabeleça quem decide, quem produz informação e quem acompanha resultados. Conecte os responsáveis à governança e aos processos existentes.
Construir uma base de evidências
Documente fontes, metodologias, periodicidade e critérios de qualidade. Torne as informações compreensíveis e utilizáveis na tomada de decisão.
Inserir na decisão
Leve os fatores relevantes à análise, à seleção de prestadores, aos mandatos, ao planejamento e ao diálogo com públicos estratégicos.
Fortalecer competências
Prepare equipes para interpretar dados e conectar temas ESG às suas funções. Revise incentivos e recursos conforme a estratégia.
Revisar e aprender
Acompanhe entregas, revise premissas e comunique avanços com evidências. O aprendizado transforma um compromisso inicial em capacidade permanente.
Compreender com precisão.
Kofi Annan escreveu o relatório?
O documento registra sua convocação às instituições financeiras. A elaboração foi coletiva, sob os auspícios do Pacto Global. Annan deve ser compreendido como liderança mobilizadora dessa iniciativa.
O documento criou uma certificação ESG?
O relatório oferece recomendações para integrar fatores ESG à análise e às decisões financeiras. Não institui um selo ou uma certificação.
ESG e ODS são a mesma coisa?
ESG organiza fatores ambientais, sociais e de governança. Os ODS compõem a Agenda 2030, adotada em 2015. A conexão com os ODS nesta página é uma leitura posterior; não integra o texto original de 2004.
Como interpretar os números históricos?
O resumo executivo informa a participação de vinte instituições de nove países, com mais de US$ 6 trilhões em ativos sob gestão. Esses números se referem à descrição da elaboração em 2004. A relação de endossantes impressa contém nomes adicionais e deve ser consultada separadamente, sem equiparar automaticamente endosso e participação na elaboração.
Como os vínculos com o Instituto foram selecionados?
Por pertinência temática: liderança, integração, governança, finanças, conhecimento e implementação. Os vínculos são caminhos de leitura. A relação do Instituto com a Kofi Annan Foundation é apresentada com seu alcance próprio no memorial institucional.
A fonte original permanece no centro.
Who Cares Wins
Connecting Financial Markets to a Changing World
Recomendações do setor financeiro para integrar questões ambientais, sociais e de governança à análise, à gestão de ativos e à intermediação de valores mobiliários.
Ano: 2004
Idioma: inglês
Origem: iniciativa sob os auspícios do Pacto Global das Nações Unidas
Conteúdo: PDF original fornecido para esta curadoria
Comentários em português nesta página são paráfrases editoriais. Consulte o PDF para o texto original, notas e quadros.
Referências de verificação
- Relatório original disponibilizado nesta página: resumo executivo, contexto, seis capítulos, conclusões e quadro de acompanhamento.
- Nações Unidas · registro de apresentação do relatório, 24 de junho de 2004.
- Banco Mundial · cópia institucional do relatório de 2004.
- Instituto Global ESG · Memorial Kofi Annan e suas referências documentais.
Leitura histórica e explicativa, preparada em 10 de outubro de 2026. Os comentários de aplicação e as conexões institucionais são elaboração editorial. Menções a organizações, funções, dados e exemplos do relatório conservam o contexto de 2004.
